Recentemente, o prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, afirmou que a gestão de José Serra em São Paulo era de " centro direita", enquanto que em Minas Gerais existia um governo de " centro esquerda".
Embora seja evidente que o que está em jogo nos comentários feitos é a eleição de 2010, que tem como presidenciável o governador Aécio Neves, aliado de Lacerda, as declarações deste não deixam de suscitar algumas reflexões sobre o sentido das expressões direita e esquerda para o eleitorado em geral.
No seu excelente trabalho " Direita e Esquerda no eleitorado brasileiro", André Singer demonstra que os valores e políticas que a população considera como sendo de esquerda ou de direita coincidem em geral, com aquilo os pesquisadores consideram pertencentes aos grupos políticos que se definem de acordo com essa classificação.
Um outro dado interessante diz respeito ao fato de que sempre houve por parte dos partidos de esquerda uma tentativa de associar os grupos de direita à corrupção, percepção que é compartilhada por um grande número de pessoas.
O mais importante no entanto, é demonstrar que no Brasil o que realmente pode servir como um divisor de águas entre partidos de esquerda ou de direita é a maneira como tais grupos acreditam que as políticas públicas devem ser implementadas. Os partidos de direita acreditam mais na iniciativa privada e na força do mercado como impulsionadora das mudanças, no caso dos partidos de esquerda, as mudanças devem acontecer mediante a incorporação das demandas sociais, com a não menos importante cooptação dos movimentos sociais.Isso pode ser facilmente observado no governo do presidente Lula, em que praticamente todos os movimentos sociais tiveram algum tipo de acomodação na administração federal. Situação bem diferente daquela do governo FHC.
Vou ali e já volto - Autor(Sérgio Dávila)
Há 16 anos

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