terça-feira, 9 de dezembro de 2008

E eu também sou ligeiro....

PROJETE LIBERDADE CAPOEIRA - JUNHO DE 2008

Obama e os negros no Brasil

A eleição de Obama foi certamente o acontecimento mais importante deste ano que está acabando. A sua chegada à Casa Branca representa, do ponto de vista político, um ganho imensurável. É claro, e é o que todos nós esperamos, que grandes mudanças devem ocorrer, especialmente na relação dos Estados Unidos com a comunidade internacional. Acima de tudo, a escolha do primeiro negro para presidir a nação mais poderosa do mundo serve como um parâmetro para avaliar a quantas andam as relações raciais nos demais países. No Brasil, que é maior autodeclarada democracia racial do planeta, nunca tivemos nada que se aproximasse daquilo que observamos na América do Norte.Vale lembrar que nos Estados Unidos os negros representam menos de 15% total da população. Mesmo assim, eles elegeram um presidente afroamericano e o cargo de Secretário de Estado, um dos mais importante daquele país, foi ocupado por dois negros nos últimos oito anos: Collin Powel e Condolezza Rice. Além disso, no Cinema e na televisão, existe sempre um esforço para se construir uma imagem positiva dos afrodescedentes; ja era comum ver pessoas de pele escura representando médicos, juízes e até presidentes, muito antes do " fenômeno" Obama.Reflexos de um país que procurou tratar suas feridas, ao invés de se abster de sua responsabilidade pela opressão de parte da população que ajudou a construir a sua riqueza. No Brasil, apesar de alguns pequenos avanços, ainda continuamos, na feliz expressão de José Vicente, reitor da Unipalmares, no samba de uma nota só de que não somos racistas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Negro Drama II

Em 2001 me encontrava em Porto Alegre para uma atividade do grupo religioso do qual fazia parte. Eu havia ingressado recentemente no curso de Ciências Sociais e estava bastante feliz com este fato. Como um bom calouro, comprei um camiseta da Faculdade, era uma forma de comemorar, e a levei para a minha viagem para a capital do Rio Grande do Sul. Numa certa noite, estávamos jantando em uma churrascaria,comentando aspectos da vida universitária, ao que uma conhecida que não participava da conversa fez a seguinte observação: Você estuda na USP ??? Nossa ! Sabe, quando o vi com aquela camiseta da USP, pensei: Quem será que deu aquela camiseta pra ele ?????

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ouro de tolo !

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Gunpowder - Wyclef Jean

...The war is not over until you can feel love, peace, and hear silence
But I smell gunpowder ...


Câmara aprova projeto de cotas para alunos de escolas públicas

Com muitas décadas de atraso, a Câmara dos deputados aprovou ontem um projeto de lei que institui a reserva de 50% das vagas das Universidade Federais para alunos de escola pública.
O projeto também prevê que a distribuição das vagas seguirá critérios socieconômicos e raciais, de acordo com a representatividade de cada grupo nas unidades da federação.
Eu tenho plena convicção de que a inclusão dos menos favorecidos na Universidade vai causar uma verdadeira revolução em nosso país. A começar pela tipo de profissinais que serão formados nas instituições de Ensino Superior. Um outro fator essencial, é que essa iniciativa ampliará as possibilidades de ascenção econômica das famílias mais pobres, diminuindo desta forma, a desigualdade de renda em nosso país que, diga-se de passagem, é uma das maiores do mundo.
Hamilton, Obama, Reserva de Vagas nas Universidades....2008 é realmente um ano histórico ! ! !
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u469819.shtml

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

USP testa "chá do Santo Daime" contra depressão

Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto estão fazendo um estudo para testar a viabilidade de se substituir antidepressivos por um tratamento à base do "Chá do Santo Daime".
Como diriam meus amigos da quebrada: Aí sim, hein ! ! !

Leia mais:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u469235.shtml

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Restrição do uso da carteira de estudante. Fique atento!

Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que restringe o uso da carteira de estudante. Caso seja aprovada, a lei proibirá a meia entrada de quinta a sábado.
Esse tipo de medida é de uma insensibilidade surpreendente, visto que todos sabem que é justamente aos finais de semana que os estudantes costumam freqüentar cinemas, teatros e shows. O senador Eduardo Azeredo, autor da proposta, afirma que a medida é necessária devido ao alto índice de falsificações. Além disso, o parlamentar afirma que com a restrição do uso da carteira de estudante os ingressos devem ficar mais baratos.
O interessante é que argumento semelhante foi utilizado para defender o fim da CPMF. À época, diziam que com o fim da contribuição, os preços dos produtos em geral ficariam mais baixos. O que vemos agora que o tributo foi extinto, é que as empresas estão lucrando mais e um montante maior de recursos circula nas contas dos endinheirados sem fiscalização. E o povo, como está? Como diria Bete Carvalho: TÁ COM A CORDA NO PESCOÇO !
De qualquer forma, ainda há tempo para uma mobilização em defesa dos direitos dos estudantes. Mande e-mails, escreva cartas para deputados e senadores. É importante que eles saibam que estamos de olho !

Leia mais:
http://noticias.bol.uol.com.br/educacao/2008/11/10/ult4735u1017.jhtm

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Esquerda e Direita

Recentemente, o prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, afirmou que a gestão de José Serra em São Paulo era de " centro direita", enquanto que em Minas Gerais existia um governo de " centro esquerda".
Embora seja evidente que o que está em jogo nos comentários feitos é a eleição de 2010, que tem como presidenciável o governador Aécio Neves, aliado de Lacerda, as declarações deste não deixam de suscitar algumas reflexões sobre o sentido das expressões direita e esquerda para o eleitorado em geral.
No seu excelente trabalho " Direita e Esquerda no eleitorado brasileiro", André Singer demonstra que os valores e políticas que a população considera como sendo de esquerda ou de direita coincidem em geral, com aquilo os pesquisadores consideram pertencentes aos grupos políticos que se definem de acordo com essa classificação.
Um outro dado interessante diz respeito ao fato de que sempre houve por parte dos partidos de esquerda uma tentativa de associar os grupos de direita à corrupção, percepção que é compartilhada por um grande número de pessoas.
O mais importante no entanto, é demonstrar que no Brasil o que realmente pode servir como um divisor de águas entre partidos de esquerda ou de direita é a maneira como tais grupos acreditam que as políticas públicas devem ser implementadas. Os partidos de direita acreditam mais na iniciativa privada e na força do mercado como impulsionadora das mudanças, no caso dos partidos de esquerda, as mudanças devem acontecer mediante a incorporação das demandas sociais, com a não menos importante cooptação dos movimentos sociais.Isso pode ser facilmente observado no governo do presidente Lula, em que praticamente todos os movimentos sociais tiveram algum tipo de acomodação na administração federal. Situação bem diferente daquela do governo FHC.

Liberdade - Fernando Pessoa

Ai que prazer
Não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
Como tem tempo, não tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca…

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Governadores contra a educação

Vejam só, meus caros amigos.
Não é que um grupo de governadores entrou com uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra o piso nacional de R$ 950,00 para os professores !?
O interessante é que não vemos empenho semelhante quando se trata de punir políticos corruptos. Ademais, quando se trata de aumentar o próprio salário,os políticos não reclamam que isso irá extrapolar os orçamentos de estados e municípios.
Com esse tipo de atitude em relação à educação, não é de se admirar que o nosso país seja tão mal avaliado nos exames que medem a qualidade do ensino !

Leia mais :
http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2008/10/29/grupo_de_governadores_vai_ao_stf_contra_piso_nacional_de_950_para_professores-586176133.asp

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Time dos sonhos ! ! !

Nunca mais na história da Humanidade existirá um outro time de basquete como esse. Quem acompanhou as olimpíadas de Barcelona sabe do que estou falando !!!


To Zion

Beatiful Zion


quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Receita para acabar com o sistema educacional de um país

Esta é uma receita rápida e fácil que permite que em poucos anos se leve à falência o sistema educacional de um país:
Contrate professores para ganhar um salário de fome e faça com que eles tenham que lecionar manhã, tarde e noite para sobreviver.
Faça repasses para as prefeituras investirem em educação e não fiscalize os recursos adequadamente, permitindo que os secretários e prefeitos desviem parte das verbas.
Incentive a expansão de Instituições de Ensino Superior sem nenhum critério, tolerando a entrada e formação de inúmeras pessoas que concluirão seus cursos sem o mínimo de conhecimentos fundamentais.
Contrate "especialistas em educação" que propaguem teses que situam, principalmente no aluno e no professor, e não no sistema, a responsabilidade pelo (não) aprendizado.
Construa e difunda um discurso de falência do ensino público e se esforce bastante para que todos trabalhem em função dele.
Seguindo estes passos, em pouco tempo será possível destruir a educação de um país. Pode apostar !

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Graciliano Ramos e a Educação


Ao relatar seus primeiros anos de vida em seu livro "Infância", Graciliano Ramos nos revela o ambiente rude, de violências constantes em que cresceu. O autor constrói a narrativa com fatos sobre os quais apresenta uma maior ou menor riqueza de detalhes, que variam na proporção das suas lembranças. E é justamente por se manter fiel às suas memórias, que em determinadas partes do livro não encontramos explicação para alguns acontecimentos. Nos parece, portanto, que a preocupação de Graciliano foi precisamente relatar as experiências que mais o marcaram, ainda que suas lembranças não permitissem contá-las em pormenores.
Dentre as muitas histórias contadas, podemos perceber que o processo de alfabetização e a experiência escolar do autor ocupam, junto com a família, um lugar central no livro. Não é à toa que uma de suas primeiras lembranças refere-se exatamente a uma sala de aula:
“A sala estava cheia de gente. Um velho de barbas longas dominava uma negra mesa, e diversos meninos, em bancos sem encosto seguravam folhas de papel e esgoelavam-se:
Um b com uma a – b,a: ba; um b com um e – b,e: be.
Assim por diante, até u. Em escolas primárias na roça ouvi cantarem a soletração de várias maneiras. Nenhuma como aquela, e a toada única, as letras e as pitombas convencem-me de que a sala, as árvores, transformadas em laranjeiras, os bancos, a mesa, o professor e os alunos existiram.“
Mais importante ainda do que perceber quais instituições tiveram importância na vida de Graciliano Ramos , é entender o de que forma elas se relacionavam com ele e que importância tiveram na sua formação.
As instituições eram, na tradição clássica, responsáveis pela “fabricação” de indivíduos e personalidades. A família, a igreja e a escola são certamente, as instituições que mais contribuíram para este processo (Dubet-1998). Em Infância, podemos realmente constatar o peso dessas três instituições na construção da subjetividade.
Ao assumirem para si a tarefa de construção de indivíduos, as instituições operam dentro de uma lógica que pressupõe que comportamentos que se enquadrem dentro de um padrão de normalidade. Aqueles que não se ajustam a esses enquadramentos estão sujeitos a fortes sanções. Na sua infância, Graciliano Ramos parecia ser uma criança que não se encaixava nos modelos pré-estabelecidos e por isso o seu processo de alfabetização foi bastante doloroso:
“ Um grosso volume escuro, cartonagem severa. Nas folhas delgadas, incontáveis, as letras fervilhavam, miúdas, e as ilustrações avultavam num papel brilhante como rasto de lesma ou catarro seco.
Principiei a leitura de má vontade. E logo emperrei na história de um menino vadio que, dirigindo-se à escola, se retardava a conversar com os passarinhos e recebia deles opiniões sisudas e bons conselhos.
- Passarinho, queres tu brincar comigo ?...
... Em seguida vinham outros irracionais, igualmente bem intencionados e bem falantes. Havia a moscazinha, que morava na parede de uma chaminé e voava à toa, desobedecendo às ordens maternas. Tanto voou que afinal caiu no fogo.”
Essas histórias, além de terem a função de servir como instrumentos de alfabetização, também tinham como objetivo incutir preceitos morais nos pequenos estudantes. Esse processo, no entanto, não é gratuito nem aleatório. Ele é, antes, fruto de um esforço concentrado para construir subjetividades.
Convém ressaltar que as instituições da modernidade, das quais, como já dissemos acima, a escola, a igreja e a famílias são as principais representantes operam segundo uma lógica bastante peculiar.
Michel Foucault (1974) vai descrever em A verdade e as formas jurídicas, o modo de funcionamento característico dessas instituições na modernidade, num modelo de organização que surge no fim do século XVIII e que ele vai definir como sociedade disciplinar. Esta pode, segundo Muchail (1985), ser definida como “ um modo de organizar o espaço, de controlar o tempo, de vigiar e registrar continuamente o indivíduo e sua conduta”.
Na sociedade disciplinar, o poder se exerce não somente por meio da repressão, mas pelo adestramento, pela produção de comportamentos e de indivíduos que devem agir conforme a “normalidade”. O panóptico é uma instituição que vai surgir como desdobramento da sociedade disciplinar e que, de certa forma, vai ajudar a defini-la. Por meio do panóptico, é possível vigiar, sem muito esforço, um louco, um doente ou um condenado, um estudante ou um operário. As instituições representadas por esses personagens (o hospício, o hospital, a prisão, a escola e a fábrica) vão ser em grande medida, atravessadas pela lógica disciplinar.
Graciliano Ramos, ao que tudo indica não se enquadrava nesse padrão de normalidade. Primeiro porque o processo de aprendizagem não lhe era nada prazeroso, mas também por uma resistência ao adestramento.
“Aos nove anos eu era quase analfabeto. E achava-me inferior aos Mota Lima, nossos vizinhos, muito inferior, construído de maneira diversa...
... O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos, cinco horas de suplício, uma crucificação. Certo dia vi moscas na cara de um, roendo o canto do olho, entrando no olho. E o olho sem se mexer, como se o menino estivesse morto. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me aterraram. Abandonei os cadernos e as auréolas, não deixei que as moscas me comessem. Assim, aos nove anos ainda não sabia ler.“ (pg. 168)
De acordo com Bohoslavsky, muitas vezes chamamos de educação o que não passa de adestramento e o aluno, à medida em que aprende, aprende a aprender de uma determinada forma. O que fez que com que o autor de Infância se tornasse um aluno medíocre foi, dentre outras coisas, uma recusa a aprender a aprender de um jeito que os professores achavam conveniente. Durante a maior parte de sua vida escolar, a estrutura das instituições de ensino o fizeram se sentir um aluno incapaz, inferior aos outros. Isso acontecia ainda que ele, muito acertadamente, achasse aqueles conhecimentos extremamente enfadonhos e sem sentido. Por esse motivo a experiência escolar de Graciliano foi extremamente violenta. Não só do ponto de vista físico, embora palmatória e puxões de orelha estivessem sempre presentes.
A tarefa de educar pode ter duas fontes possíveis de agressão, ainda de acordo com Bohoslavsky. Primeiramente, porque o próprio vínculo que se estabelece na relação professor-aluno se dá por meios violentos. A dependência que caracteriza esta ligação tem como eixo central a troca de segurança por submissão. Os alunos, para conseguirem passar sem tantos traumas pela escola tem que submeter-se ao professor e à instituição. O outro aspecto agressivo do processo de aprendizagem é que ele promove uma reestruturação , que ocorre tanto no nível dos conhecimentos como no das relações que os indivíduos estabelecem com esses conhecimentos.
É interessante notar que embora aos nove anos ainda não soubesse ler direito, Graciliano Ramos se torna pouco tempo depois um apaixonado pela leitura. A relação que ele se estabelece entre ele e os livros, no entanto é totalmente diversa daquela da escola:
Apareceu uma dificuldade, insolúvel durante meses. Como adquirir livros?...
... Invoquei, num desespero, o socorro de Emília. Eu precisava ler, não os compêndios escolares, insossos, mas aventuras, justiça, amor, vinganças, coisas até então desconhecidas. (pg. 189).
Num outro trecho do livro, o autor nos mostra os progressos que tivera a partir do momento em que tomou gosto pela leitura:
“ Um dia, porém, houve exame imprevisto e os alunos encrencaram nos rios e nas capitais...
... Mencionei o bosque de Bolonha, Versalhes, o Sena, a torre de Londres, as pontes de Veneza, o Reno e o Tibre, o porto de Marselha. Não era exatamente o que desejavam. Em todo o caso fui ouvido.
...Finda a novidade, os meus conhecimentos originaram desconfiança e algum desdém...
..Descurei as obrigações da escola e os deveres que me impunham na loja. Algumas disciplinas, porém, me ajudavam a compreensão do romance e tolerei-as – bocejei e cochilei buscando penetrá-las. (pg. 192)
Embora a leitura tenha proporcionado uma melhora significativa no desempenho do nosso protagonista, os seus conhecimentos ainda originavam desconfiança e desdém. E isso ocorria justamente porque a forma de aquisição desses saberes não passava pelo filtro escolar e pelo seu modo de funcionamento. Na verdade, podemos nos arriscar a dizer que o gosto de Graciliano pela leitura, e até mesmo o fato de ele ter se tornado um dos maiores escritores brasileiros, foi de certa forma um efeito colateral de sua experiência escolar.
É evidente por outro lado, que conquanto as tentativas de seus familiares de alfabetizá-lo tenham sido extremamente incômodas e violentas, o fato de pertencer a uma família em que valorizava a educação teve peso fundamental na formação do autor.
Ora, uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da cama...
Meu pai determinou que principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas e repisando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. Parei surpreendido, virei a folha, continuei a arrastar-me na gemedeira, como um carro em estrada cheia de buracos...
... Explicou-me que se tratava de uma história, um romance, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Animei-me a parolar. Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo. (pg.170)
Nos trechos seguintes do livro, lemos que a paciência do pai de Graciliano para lhe exercitar a leitura durou pouco. De qualquer forma, foi esta disposição em traduzir em linguagem de cozinha diversas expressões literárias que fez com que sua visão a respeito da leitura se modificasse e que esta pudesse ser vista como uma atividade prazerosa.
O peso da família determina em grande parte o tipo de atitude que os indivíduos terão frente à escola.
A vantagem mais importante que as crianças dos meios mais favorecidos podem ter em relação às demais é a ajuda direta que os seus pais podem dar, segundo Bourdieu (2001).
Assim, podemos dizer que apesar de todos os problemas relatados em Infância e da dureza do aprendizado e do processo de alfabetização de seu autor, é notório que o fato da leitura ser um hábito em seu meio familiar, contribuiu para que, em algum momento, fosse despertado o gosto por esta atividade. De acordo com Dubet (1998), determinados alunos, que não percebem qual a utilidade de seus estudos canalizam sua inteligência e personalidade para atividades não escolares. Quando isso ocorre, os indivíduos se formam paralelamente à escola e se adequam à vida escolar não se integrando. Parece ser esse o caso de Graciliano Ramos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AZANHA, José Mario Pires. Uma reflexão sobre a Didática. 3º seminário A Didática em questão. Atas, vol. 1, 1985, p. 24-32.
TARDIF, Maurice et al. Os professores face ao saber: esboço de uma problemática do saber docente. Teoria e Educação. Porto Alegre, 1991, nº 4 . p. 215-233
BOURDIEU, Pierre. A escola conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura. In: Nogueira, Maria Alice e CATANI, Afrânio. Escritos de educação. 3ª edição. Petrópolis, RJ. Vozes, 2001 , p. 39-64
DUBET, F. A .formação dos indivíduos: a desinstitucionalização. Contemporaneidade e Educação, v.3 p. 27-33.
VEIGA-NETO, A. “Pensar a escola como uma instituição que pelo menos garanta a manutenção das conquistas fundamentais da modernidade”. In: Costa, M.V.( org) A escola tem futuro ? Rio de Janeiro: DP&A, p. 103-126
FOUCAULT, M. (2002) A verdade e as formas jurídicas. Rio de Janeiro: Nau, p. 7-27 e 103-126.
MUCHAIL, S. T. (1985) “ O lugar das instituições na sociedade disciplinar”. In: Ribeiro, R.J ( organizador). Recordar Foucault. Rio de Janeiro: Brasiliense, p. 196-208.
BOHOSLAVSKY, Rodolfo. A psicopatologia do vínculo professor-aluno: o professor como agente socializador. PATTO. M. Helena de S. Introdução à Psicologia Escolar. São Paulo: T. A Queiroz. Ed. 1991, p. 320-341





sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Entenda a crise norte-americana ( Esse texto não é meu, recebi por e-mail )

Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue breve relato econômico para leigo entender. É assim: O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça 'na caderneta' aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem,afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o pindura dos pinguços como garantia.Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro, que ninguém sabe exatamente o que quer dizer. Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios,com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países. Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu. Viu... é muito simples!!!

Negro drama...

Num lugar em que trabalhei, num passado não tão distante, aconteceu um fato que talvez mereça uma breve reflexão.
Numa certa ocasião, um professor negro com qualificações excepcionais se candidatou a uma vaga. Por qualificações excepcionais, leia-se comunicação em 5 idiomas, pós-graduação no exterior, etc.
Ao receber o currículo do protagonista desta história, minha ex-chefe teceu o seguinte comentário: Nossa ! Esse professor é muito qualificado, hein ! Ele fala 5 idiomas. Mas precisamos verificar se isso é verdade mesmo.
Façamos agora a seguinte reflexão: Se esse docente fosse branco, será que as suas qualificações seriam questionadas desta forma ?????????????

VOLTEI !!!

VOLTEI !!!

Os negros e a TV no Brasil

Embora muitos, inclusive eu, critiquem as novelas, todos temos que admitir que elas são o produto audiovisual de maior alcance no Brasil. É quase como se fosse a vocação do nosso país nesse campo. Por outro lado, os folhetins produzidos em terras brasileiras ainda usam e abusam de determinadas fórmulas que não incorporam as mudanças pelas quais a sociedade tem passado. Existe uma música da Lucina Melo que traz uma frase bastante elucidativa a este respeito: " Isso já tá virando novela, não precisa assistir pra saber o final ".
Nas novelas, os papéis sociais já estão bastante definidos e os lugares que cada grupo vai ocupar na narrativa já estão bem marcados, o que realmente permite prever o que vai acontecer sem precisar ser nenhum gênio.
Semanas atrás, assisti a alguns capítulos de uma novela da Globo, A favorita, por conta da notícia de que havia na trama uma família negra de classe média, o que é raro na televisão brasileira. Como era de se esperar, no entanto, apesar dessa família pertencer aos estratos mais privilegiados da sociedade, era composta por um político corrupto, uma filha desequilibrada e um filho alcoólatra. Num determinado momento, o filho bêbado se apaixona por uma mulher branca e decide abandonar o álcool e arrumar um emprego. Qual não não foi a minha supresa quando vi qual foi a ocupação escolhida pela rapaz: porteiro.
Embora tivesse uma boa qualificação e falasse 4 idiomas, ele decide ser porteiro. É quase como se o autor colocando as coisas no seu devido lugar: negro não pode ser bem sucedido.
Não vejo problema no fato de a televisão mostrar negros em situação de subalternidade. E também não há problema nenhum em ser porteiro. O que me incomoda é que os negros SÓ aparecem nessa situação. É o que chamamos de reforço negativo. E os canais de televisão brasileira não dão sinais de que alterarão esse quadro tão cedo .

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Hoje

Meu anjo do perdão foi bom , mas tá fraco,
Culpa dos imundos do espírito opaco.
(Mano Brown)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Cotidiano

Todo dia eu só penso em poder parar,
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar,
E me calo com a boca de feijão.
Cotidiano - Chico Buarque

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Historinha Mineira

"Sapassado, era sessetembro, taveu na cuzinha tomando uma pincumel e cuzinhando um kidicarne com mastumate pra fazer uma macarronada com galinha assada.
Quascaí de susto, quando ouvi um barui vindo de dendoforno, parecendo um tidiguerra. A receita mandopô midipipoca dentro da galinha prassá. O forno isquentô, o mistorô e a galinha ispludiu! Nossinhora!
Fiquei branco quinein um lidileite. Foi um trem doidimais! Quascaí dendapia!
Fiquei sensabê doncovim, proncovô, oncotô. Oiprocevê quelucura! Grazadeus ninguém simaxucô!"

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ítaca

Ítaca

Se partires um dia rumo à Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
Repleto de aventuras, repleto de saber
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o colérico Posidon te intimidem!
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito. tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.
Constantino Kabvafis (1863-1933)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Os piores versos de música dos últimos tempos !

Acredito que a maioria das pessoas já deve ter ouvido a expressão " Isso é música para os meus ouvidos", que geralmente é dita quando recebemos uma boa notícia ou quando nos dizem algo que nos agrada. Quando dizemos que algo é "música para os nossos ouvidos", estamos também indicando que a música é algo prazeroso e que aquilo que nos foi dito nos traz tanto prazer quanto ouvir música.
Alguns compositores, no entanto, conseguem acabar com todo o prazer que a música pode proporcionar.
Esta semana vamos analisar alguns dos piores versos de música dos últimos anos ( na minha opinião).

Vamos começar com a visão de Sandy e Júnior a respeito da imortalidade :

O que é imortal não morre no final ....... ( que reflexão impressionante)

Você se lembra do É o Tchan, grupo de axé music que fez muito sucesso no fim da década de 90 ? Não seria justo deixar de mencionar as tentativas de internacionalizar o " segura o tchan":

Samurai quer ver bumbum mexer, samurai quer sushi pra comer, samurai quer amarrar o tchan, samurai quer tchan-tchan-tchan...... ( Deixa o samurai saber disso.....)

Ali-Babá...Ali-Babá, Califa tá de olho no decote dela, tá de olho no biquinho do peitinho dela, tá de olho na marquinha da calcinha dela , tá de olho no balanço das cadeiras dela.......( sem comentários)

Os fãs de Ana Carolina que me perdoem mas, essa também é difícil de agüentar :

"E subo bem alto pra gritar que é amor, eu vou de escada pra elevar a dor"

E essa então:

Toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas,
Muitas vezes são vermelhas, mas sempre são rosas...... ( Tentativa frustrada de fazer um trocadilho inteligente
)

O que é que o Lulu Santos estava pensando quando compôs esse verso ??? ( Se bem que eu até que gosto dessa canção)

Não existiria som senão houvesse o silêncio;
Não haveria luz se não fosse a escuridão. ( UAU !!!)


É claro que não poderíamos deixar citar um exemplo da nossa música sertaneja. Dessa vez, vamos de Bruno e Marrone

Seu guarda, eu não sou vagabundo, não sou delinqüente, sou um cara carente;
Eu dormi na praça pensando nela.....
Seu guarda seja meu amigo, me bata, me prenda, faça tudo comigo,
Mas não me deixe ficar sem ela .

Eu sei que existem milhares de outras músicas que deveriam fazer parte desta coletânea. Se você quiser, pode mandar as suas contribuições.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Requião e as greves......

Veja o tratamento dispensado por Roberto Requião, governador do Paraná, a um grupo de grevistas de seu estado....Não deixa de ser curioso....
São os políticos nossos de cada dia......

/watch?v=2http://www.youtube.com4KaB8_cPjI

A opinião de Lula a respeito de Pelotas

Meio batido esse vídeo, mas ainda vale a pena conferir.


http://www.youtube.com/watch?v=B-ya8Xk7oEU&feature=related

Violência

A violência é um dos temas que dominam o noticiário nacional. O foco, porém, não é nos atos violentos cometidos pelos criminosos, aos quais de certa forma já nos acostumamos, mas na violência policial, a qual muitos não conheciam.

O fato é que as atuais trapalhadas dos policiais brasileiros são uma expressão do tratamento que sempre foi reservado aos habitantes pobres das periferias das grandes cidades brasileiras. Pergunte a qualquer jovem negro morador de uma favela ou Cohab da Grande São Paulo como é que a polícia costuma agir nestes locais.

Sempre que a classe média é atingida pela violência, policial ou não, chovem manifestações em favor da paz. Manifestações justas. Por outro lado, é preciso recordar que é esta mesma classe média que convoca os aparelhos policiais na sua forma mais agressiva quando se sente ameaçada. Não é à toa que discursos como " Bandido bom é bandido morto" ganharam tantos adeptos em São Paulo. Não podemos esquecer também, que num passado não muito distante o apresentador Luciano Huck, após ter o seu relógio de luxo roubado em São Paulo, sugeriu que fosse convocado o capitão Nascimento ( personagem do filme Tropa de elite que usava e abusava de métodos violentos , inclusive contra inocentes, na sua luta contra o crime ) para resolver o problema da segurança em nosso país.

O que o apresentador não parou para pensar, no entanto, é que enquanto o nosso modelo de polícia se pautar pela lógica do " atira primeiro, pergunta depois", vamos continuar a assistir o festival de tragédias a que somos submetidos todos os dias.
É evidente que os policiais também não são os únicos responsáveis pelo colapso da segurança pública no Brasil . Eles são meros agentes de uma política irresponsável e ineficaz.
Voltaremos a esse assunto em breve.
Seguem algumas sugestões de filmes essenciais para se pensar violência e segurança pública em nosso país:

Quase Dois Irmãos
Gênero: Drama Duração: 102 min. Lançamento (Brasil): 2005
Direção: Lúcia Murat

O Prisioneiro da Grade de Ferro (Auto-retratos).
Duração: 123 Minutos •
Direção: Paulo Sacramento

Justiça
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 100 minutos
Direção e Roteiro: Maria Augusta Ramos

Ônibus 174
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 133 minutos Ano de Lançamento (Brasil): 2002

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Por que é que o Brasil não vai pra frente ?

Apesar de muitos políticos comemorarem alguns inegáveis avanços pelos quais o Brasil passou nos últimos anos, podemos perceber que em nosso país persistem problemas muito graves, a respeito dos quais pouca coisa foi feita. A situação nos hospitais públicos é lamentável. A educação, apesar da boa vontade e talento do atual ministro, também está muito aquém do que esperávamos. Isso sem falar na distribuição de renda, na criminalidade, nas estradas. Diante desse quadro, sempre nos vem à mente a questão: Por que diabos, o Brasil não se torna um lugar melhor para se viver. Em outras palavras, por que o Brasil não vai pra frente ? Pergunta difícil, resposta mais ainda . De qualquer forma, este questionamento vale uma breve reflexão.
É interessante notar que, em tempos de globalização, muito se fala sobre imperialismo, sobre a opressão dos países ricos sobre os pobres, etc. E é evidente que a própria História confirma que boa parte dos problemas das nações menos desenvolvidas estão relacionados a sua herança colonial. Existe, contudo, um outro aspecto desta questão que merece ser ressaltado. Quem dirige os países, sejam eles pobre ou ricos, são os seus governantes, eleitos democraticamente em grande parte das nações. Muitos acreditam que a democracia seja o governo do povo, o que não é correto. Nas sociedades modernas, os regimes democráticos se apresentam como métodos de seleção de líderes que são recrutados nas elites dirigentes de cada nação. Quando falo de elite, no entanto, convém ressaltar que não me refiro às elites intelectual ou financeira, mas aos grupos que se encarregam da tarefa de dirigir o país. Por isso, podemos afirmar que, mesmo os líderes sindicais, que na sua retórica esbravejam contra o grande capital, fazem parte daquilo que chamamos de elite dirigente.
Novamente gostaria de ressaltar que quem governa o país não é o povo; mas sim, os gestores escolhidos dentro de um grupo bastante limitado de pessoas, que por sua atuação política, importância econômica ou pelo papel que desempenham em áreas estratégicas acabam por compor o conjunto dos indivíduos aptos a assumir o controle do país.
As escolhas que as classes dirigentes fazem ( e que geralmente não estão em consonância com a vontade do povo ) são o que determina o futuro de uma nação.
Infelizmente, as elites políticas brasileiras têm feito escolhas equivocadas. Há séculos.
E é por essas e outras, que o Brasil não vai pra frente !!!!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O Brasil também tem seus mutantes ( com seríssimas restrições orçamentárias)

Certo dia, ao chegar em casal à noite, liguei a televisão no canal do Bispo e assisti a um trecho da novela Os mutantes - Caminhos do coração. Eu já tinha lido nos jornais alguma coisa sobre a precariedade dos (d)efeitos especiais, que mesmo assim me surpreeenderam pelo seu aspecto, digamos, rudimentar. No entanto, fiquei ainda mais surpreso com a frouxidão da história, que não tinha nem eira nem beira. Apesar disso tudo, a audiência da novela anda nas alturas. Como explicar isso ? Antes de chegarmos a possibilidade de resposta, um pouco de história.
Bem, um país desenvolvido tem diversas maneiras de expandir e manter o seu domínio. Uma delas é através da força, que pode ser representada pelo seu exército e arsenal de guerra. Outra possibilidade é por meio de algo que alguns pesquisadores vão chamar de poder brando, que significa, grosso modo, a capacidade que uma nação possui de disseminar os seus valores mundo afora. Esse é o tipo de domínio que tem se mostrado mais eficiente. É por isso que muitos preferem assistir Homem Aranha a ver O ano em que meus pais saíra de férias. Para muitos, o cinema norte-americano é melhor e ponto final. E de fato, não podemos negar que muita coisa boa foi produzida nos Estados Unidos, enquanto o cinema nacional ainda estava tentando se encontrar. Porém, nos assistimos embasbacados histórias que tm muito pouco ou nada a ver com nosso cotidiano. E gostamos. E isso é um reconhecimento de que o " poder brando" das nações ricas é realmente eficiente.
É claro que existe também um fator que podemos chamar de cultural. Antes de mais nada, no entanto, é necessário definir o significado que atribuo ao termo cultura.
Existe uma definição de cultura que é a que eu mais gosto, que diz que o homem é um animal envolto em teias de significado, e a cultura são estas teias.
Não seria arriscado dizer que determinados países, os Estados Unidos em especial, conseguiram disseminar de tal forma os seus valores, que as teias de significado que envolviam os seus habitantes alcançaram todo o mundo ocidental. Em outras palavras, os símbolos e valores que organizam tais sociedades se tornaram inteligíveis para um número muito maior de pessoas. E é por isso, dentre outros motivos, que assistimos Batman, X-man e outros enlatados e ficamos maravilhados. E por gostarmos tanto do mundo fantástico dos super heróis , e por termos assimilado os signos que nos permitem admirá-los, uma novela cheia de personagens que dizem muito pouco sobre nós, brasileiros, e sobre os valores do nosso país pode fazer tanto sucesso.

O jeitinho brasileiro de fazer política...


É ano de eleição ! No Recanto das Rosas, bairro da periferia de Osasco, as ruas de terra exibem diversas faixas de supostos ( e suspeitos) cidadãos agradecendo ao prefeito e vereadores por uma asfalto que ainda não chegou.
Vamos com calma, sr. prefeito. Podia pelo menos ter esperado a obra ficar pronta, não é mesmo ???

sábado, 5 de julho de 2008

Programa Sílvio Santos

Nas últimas semanas o SBT voltou a exibir o famoso Programa Sílvio Santos. No mesmo formato em que eu o conheci quando criança, a atração dominical do Sr. Abravanel ressucitou antigas fórmulas de sucesso na televisão brasiliera : pegadinhas, câmeras indiscretas e o não menos conhecido Topa tudo por dinheiro, em que pessoas são convidadas a passar por situações humilhantes em troca de alguns trocados. Em que pese o mau gosto de um programa em que o apresentador joga aviõezinhos de notas de cinquenta reais enquanto olha para a platéia se matando para pegar o dinheiro, o que Sílvio Santos faz é levar ao extremo a face perversa da mídia, que tem como único objetivo o lucro. O que diferencia esta atração das demais no mesmo formato é justamente o fato de que se estabelece uma relação quase de trabalho com os participantes ; se é verdade que muitos sofrem humilhação em troca de algum dinheiro, também é verdade que eles sabem que o objetivo do programa é exatamente esse: verificar o que você é capaz de " topar" em troca de uma graninha. Sem querer nivelar por baixo, pelo menos o Programa Sílvio Santos não faz sensacionalismo com o sofrimento alheio, como fazem outros apresentadores que mostram cidadãos endividados que têm que cumprir alguma tarefa impossível em troca de algum dinheiro.