A eleição de Obama foi certamente o acontecimento mais importante deste ano que está acabando. A sua chegada à Casa Branca representa, do ponto de vista político, um ganho imensurável. É claro, e é o que todos nós esperamos, que grandes mudanças devem ocorrer, especialmente na relação dos Estados Unidos com a comunidade internacional. Acima de tudo, a escolha do primeiro negro para presidir a nação mais poderosa do mundo serve como um parâmetro para avaliar a quantas andam as relações raciais nos demais países. No Brasil, que é maior autodeclarada democracia racial do planeta, nunca tivemos nada que se aproximasse daquilo que observamos na América do Norte.Vale lembrar que nos Estados Unidos os negros representam menos de 15% total da população. Mesmo assim, eles elegeram um presidente afroamericano e o cargo de Secretário de Estado, um dos mais importante daquele país, foi ocupado por dois negros nos últimos oito anos: Collin Powel e Condolezza Rice. Além disso, no Cinema e na televisão, existe sempre um esforço para se construir uma imagem positiva dos afrodescedentes; ja era comum ver pessoas de pele escura representando médicos, juízes e até presidentes, muito antes do " fenômeno" Obama.Reflexos de um país que procurou tratar suas feridas, ao invés de se abster de sua responsabilidade pela opressão de parte da população que ajudou a construir a sua riqueza. No Brasil, apesar de alguns pequenos avanços, ainda continuamos, na feliz expressão de José Vicente, reitor da Unipalmares, no samba de uma nota só de que não somos racistas.
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